Melhores leituras de 2008
6 janeiro, 2009
Romance
A Estrada, de Cormac McCarthy
Homem Comum, de Philip Roth
Kafka à Beira-Mar, de Haruki Murakami
Novela
Longe de Ramiro, de Chico Mattoso
Salão de Beleza, de Mario Bellatin
Contos
Breves Entrevistas com Homens Hediondos, de David Foster Wallace
A Última Noite, de James Salter
Crônicas
Lado B, de Sérgio Augusto
Teoria Literária
Contemporâneos (Expressões da Literatura Brasileira no Século XXI), de Beatriz Resende
Linhagens do Presente, de Aijaz Ahmad
Valise de Cronópio, de Julio Cortázar
Ensaios
Que Horas São?, de Roberto Schwarz
A Literatura na Poltrona, de José Castello
Dramaturgia
Sonho de Outono, de Jon Fosse
O nome, de Jon Fosse
Dissidente, de Michel Vinaver
O Programa de Televisão, de Michel Vinaver
Adultérios, de Woody Allen
Trate-me Leão, de Hamilton Vaz Pereira
Biografias
John Cassavetes, de Thierry Jousse
Entrevistas
Borges Sabato (diálogos), organizado por Orlando Barone
Woody Allen por Woody Allen, de Stig Björkman
Os 11 melhores filmes de 2008 (lista complementar)
4 janeiro, 2009
1. A Fronteira da Alvorada, de Philippe Garrel
2. O Segredo do Grão, de Abdel Kechiche
3. Uma Garota Dividida em Dois, de Claude Chabrol
4. O Nevoeiro, de Frank Darabont
5. A Última Amante, de Catherine Breillat
6. Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen
7. Falsa Loura, de Carlos Reichenbach
8. Não Estou Lá, de Todd Haynes
9. Um Conto de Natal, de Arnaud Desplechin
10. Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas
11. Appaloosa – Uma Cidade Sem Lei, de Ed Harris
…
Aqui a outra ponta da lista. Reiterando: nenhuma lista segue ordem de classificação. Contemplados apenas os filmes que fizeram parte do circuito convencional.
2008: ou o direito de não fazer planos
7 janeiro, 2008
Pensei em fazer uma lista de resoluções tomadas entre o dia 31 de dezembro até o presente momento. Não consegui. Não que eu não tenha planos; simplesmente não gosto de elencar um número de tarefas – por assim dizer – que deverão ser cumpridas no curto período de um ano.
Há uma exigência implícita para que cada um monte um cronograma capaz de responder às suas expectativas. Não tão suas quanto deveria e mais dos outros. Quanto dessa listinha, essa mesmo, que você guardou atrás dos potes de café e açúcar, são realmente necessidades suas? Não responda, é uma pergunta retórica. Just think about it.
Fade out (V.O.)
Diuturnamente somos bombardeados por toda sorte de informações, que vão desde a morte da cachorrinha Lili por afogamento ou o topless da celebridade da vez até conselhos práticos para vencer na vida, adquirir um carro zero, se dar bem com as mulheres, ser promovido no serviço, ganhar peso ou perder, acabar com a calvície, trocar o sapato velho e de camurça pelo novo modelo importado da Puma, tornar-se um microempresário de sucesso, virar artista, arranjar uma amante, pular de um prédio em chamas, mudar de vida, assistir ao novo programa do canal de sempre, trocar o caminho habitual por outro, talvez mais longo, não importa, apenas mude, compre, troque, funcione, vire, assista, role, faça, jogue, corra, invente, procure, seja, passe, case-se, viva, colecione, leia, mate, não pense, jamais se arrependa, o futuro é agora, estamos trabalhando para que você se sinta bem, pastilhas Valda, alívio garantido, calças Levis, óculos Ray-Ban, gelatina de cérebro, não pense, olhe, não veja, nunca, nunca veja. É assim que me sinto na maioria dos dias. Moído, triturado, carcomido. Tudo passa muito rápido. As associações parecem inexistentes; e nós, quando notamos que estamos girando nesse carrossel, nem sequer conseguimos pedir um mísero saquinho de vômito.
Fade in
As listas de resoluções fazem parte desse carrossel ininterrupto – as fazemos de maneira automática e sem o mínimo de comprometimento verdadeiro. Alguns são honestos e realmente estão dispostos a cumprir um itinerário mais acertado em 2008 – são casos raros, de pessoas persistentes, focadas e disciplinadas. Para estas pessoas, as famigeradas listas têm um valor simbólico tão eminente quanto às datas religiosas para os católicos. E, mesmo que estas listagens sejam tomadas por impulsos de outra ordem, geralmente distantes dos seus anseios reais, elas funcionam. Às avessas, mas funcionam. No meu caso, não. É uma questão de fé: ou você crê ou não crê. Ou melhor: é sempre uma questão de escolha.
Por outro lado, isso não quer dizer que eu seja adepto do deixa a vida me levar, vida leva eu… Pelo contrário, sou extremamente consciente de que se acomodar é não viver. Não, eu não deixo a vida me levar.
Diferentemente do Zeca Pagodinho, eu não sei cantar, odeio bebida e não sou garoto-propaganda de duas das maiores marcas de cerveja do Brasil. O que me resta? Chutar a bola e seguir em frente.
Para não dizer que eu não tenho sequer uma resolução para 2008, aí vai: entre a vontade e o desejo, eu fico com a vontade. O desejo é ilusório e pérfido. A vontade é racional, fria, livre de arroubos passionais. A primeira opção é mais sedutora; e mais viva também. A segunda é mais esquemática; e mais morta também. O melhor é o meio do caminho – nem só vontade e nem só desejo. Aprender a equilibrar esta balança será o meu exercício para 2008.
Viram?, nem mesmo a minha única resolução, extraída à fórceps, consegue permanecer segura e inabalável. Sou um sujeito vacilante; o que não acho de todo ruim. Num clima de Por que a Gente É Assim? (Cazuza), eu peço um 2008 mais pleno. Sem esperanças, mas peço.





