Não riam de mim #7
22 outubro, 2009
Eu sempre tive medo de me relacionar. Medo de não conseguir voltar dois passos para trás e dizer ok, eu não vivi aquilo, aquilo não foi comigo. Ninguém foi (ou é) capaz de nos ensinar a fracassar no amor. Não há culpados, baby. E se você insiste em acreditar que há um culpado nessa história toda, pense novamente.
All the Real Girls é um dos filmes mais doces a falar sobre o fim das histórias românticas. Das histórias onde as princesas são despertadas com beijos e os príncipes ainda são príncipes. Depois de All the Real Girls não há mais Cinderela, não há mais amores imaculados. Há, sim, um casal e o que foi feito deles.
Revi o filme ainda há pouco, e daí a vontade de compartilhar isso aqui. All the Real Girls é como uma peça de Tchecov. As personagens continuam a habitar o espaço mas o espaço acabou por desistir delas. Tchecov nos ensinou a crescer. All the Real Girls nos ensinou que as coisas (todas elas) têm de acabar.
All the Real Girls
19 novembro, 2008




All the Real Girls
Roger Ebert, crítico norte-americano, diz que David Gordon Green é um POETA. Franzindo o lado esquerdo do rosto, movimentando a cabeça pra frente e pra trás, aceito o epíteto quase sorrindo. De Gordon vi apenas Snow Angels e All the Real Girls, e não acho exagero afirmar que é um cineasta de estilo definido e raro no panorama norte-americano. All the Real Girls fala de um jovem rapaz e de uma jovem garota e de um amor que não se dá, como toda boa história de amor. SÓ. Tudo que eu disser além disso é spoiler e tal. Por que como vou descrever aqui a fotografia e a maneira como ele enquadra os planos? É cinema sensorial, dear (e de diálogos articulados). Mais: é cinema que se perde no meio do caminho e deixa a história de lado para acompanhar os personagens e suas divagações. Se eu disser que assisti 10 vezes os 3 minutos finais do filme você aluga? Ok: assisti 10x os 3 minutos finais do filme; e 5x vezes o início. Quando vejo ALGO num filme além da história, costumo ver a abertura e o desfecho repetidas vezes. All the Real Girls tem um ALGO que eu ainda não sei, mas que me provoca.




