Ah, Woody, Woody…

22 setembro, 2009

Two weeks ago, Abe Moscowitz dropped dead of a heart attack and was reincarnated as a lobster. Trapped off the coast of Maine, he was shipped to Manhattan and dumped into a tank at a posh Upper East Side seafood restaurant. In the tank there were several other lobsters, one of whom recognized him. “Abe, is that you?” the creature asked, his antennae perking up.

“Who’s that? Who’s talking to me?” Moscowitz said, still dazed by the mystical slam-bang postmortem that had transmogrified him into a crustacean.

“It’s me, Moe Silverman,” the other lobster said.

“O.M.G.!” Moscowitz piped, recognizing the voice of an old gin-rummy colleague. “What’s going on?”

“We’re reborn,” Moe explained. “As a couple of two-pounders.”

“Lobsters? This is how I wind up after leading a just life? In a tank on Third Avenue?”

The Lord works in strange ways,” Moe Silverman explained. “Take Phil Pinchuck. The man keeled over with an aneurysm, he’s now a hamster. All day, running at the stupid wheel. For years he was a Yale professor. My point is he’s gotten to like the wheel. He pedals and pedals, running nowhere, but he smiles.

Li esse conto meses atrás, mas na época acabei não indicando ele por aqui. Faço isso agora.

Kinsey da era virtual

2 outubro, 2008

Ontem, na Folha:

Metade dos blogueiros tem entre 18 e 34 anos e 66% são homens; um em cada dois está na América do Norte. Na América do Sul, situam-se 7% das pessoas que escrevem em diários virtuais, ante menos de 1% da África. A Europa reúne 27% desses produtores de conteúdo.
Esses são alguns dos resultados do “Estado da Blogosfera” em 2008, estudo feito pelo site Technorati (www.technorati.com), um dos maiores agregadores de blogs da internet.
O tema mais popular entre os blogueiros é “estilo de vida/ pessoal”; 54% dizem tratar do tópico. Em segundo lugar, vem tecnologia, com 46% dos produtores escrevendo sobre o assunto.

Eu sou a medida
Para aferir o sucesso do blog, 75% das pessoas dizem levar em conta a satisfação pessoal; 58% consideram o número de comentários como uma medida de sucesso, enquanto 53% dizem levar em conta a quantidade de visitantes únicos.
Já quanto aos motivos que os levam a blogar, 54% dizem que o fazem por diversão; 42% dos blogueiros esperam ganhar algum dinheiro com o site um dia, enquanto 15% dizem ter o diário como uma fonte complementar de renda. Apenas 2% afirmam que o site é a fonte principal de recursos.
Os blogueiros, em sua grande maioria (78%), gerenciam sozinhos seus blogs. Já 13% deles dizem usar ajuda não remunerada, enquanto 9% utilizam serviços pagos para fazer o site.
O Techonorati realiza um estudo desse tipo desde 2004. O relatório deste ano está disponível em www.technorati.com/blogging/state-of-the-blogosphere.

Antônio Fraga

28 setembro, 2008

Hoje, no Estado:

O homem é um animal em eterno cio; a mulher só entra no cio quando ama.

Eu bebo, fumo, adoro a noite e faço sexo – proteções que retardam a velhice e a loucura.

Certeza mesmo, só tenho uma: a de morrer na mesa de um boteco cercado de amigos e mulheres – estas bem mais amadas que amigas.


Maria Célia conheceu Fraga no bar Bia House, em meados dos anos 1980. Ele morava em Queimados, na Baixada Fluminense. “Para ganhar sua confiança foi terrível”, diz. “Ele era bem difícil com os amigos, criticava a todos, mas vivo, não era como um Brás Cubas, que falava o que bem entendia porque estava morto.” Tal atitude, ao mesmo tempo que lhe dava liberdade, o jogava mais para a margem. “Ele se magoou com o isolamento, considerava-se um rejeitado.” Com Fraga, a professora pôde vagar pelos roteiros boêmios, fonte das histórias do ficcionista, que tinha a bebida e o cigarro por companheiros.

Mais aqui.

DFW no Folhateen?

22 setembro, 2008

Como ninguém se manifestou na informada e querida Folha de S. Paulo, o Álvaro Pereira Júnior, que tem uma coluna no Folhateen, intitulada Escuta Aqui, resolveu falar. É provável que não tenha lido nada do DFW, mas ao menos pesquisou sobre. Falou umas asneiras – normal – sobre o visual e o comportamento do escritor, mas você pode pular essa parte do texto e pensar que ao menos alguém naquele jornaleco contribuiu para que amanhã, bem cedo, David Foster Wallace esteja zanzando numa dessas movimentadas banquinhas da feira e servindo para embrulhar algum peixe qualquer.

Leiam:

Enforcamento sob o céu sem nuvens

EM MEIO A queda das bolsas, caos na Bolívia e outras hecatombes, uma notícia importante e muito triste passou despercebida na semana passada: o suicídio, por enforcamento, do escritor americano David Foster Wallace, aos 46 anos.

Que um escritor se suicide não chega a ser novidade: Hemingway, Virginia Woolf, Hunter Thompson, Maiakóvski. A lista é longa, e Wallace, apenas seu mais novo integrante. Mas dois detalhes causam estranhamento nessa história de morte.

Primeiro, o lugar: o ensolarado, próspero e feliz sul da Califórnia, mais precisamente a cidade de Claremont, nas imediações de Los Angeles. Lá fica a instituição onde Wallace dava aula, o Pomona College, uma dessas faculdades pequenas, mas de alta qualidade, que nos EUA são chamadas de “liberal arts colleges”.

Professores universitários às voltas com os fantasmas da mente são personagens comuns na literatura. Para ficar em dois exemplos de que lembro agora, temos Coleman Silk, em “The Human Stain” (de Philip Roth), e Jack Gladney, em “White Noise” (de Don DeLillo). Esses dois casos da ficção são de acadêmicos que ensinam em pequenas cidades geladas do norte do país, sem nada relevante por perto além da própria faculdade. O isolamento e a natureza inóspita criam a moldura perfeita para os atos extremos desses intelectuais sem rumo.

Segundo detalhe estranho: a razão da morte. Wallace tomava remédios contra depressão havia 20 anos. Mantinha-se produtivo e, me atrevo a dizer, até um pouco chato: falante demais em entrevistas, extravagante demais no visual etc. Após tanto tempo de uso, os remédios começaram a causar efeitos colaterais, e um médico decidiu retirá-los. Como resultado, ele mergulhou na mais profunda depressão, e dela nunca mais consegui sair.

Wallace morreu cercado de um mundo tão perfeito quanto possível, destruído por uma doença quimicamente tratável.

A morte de David Foster Wallace foi tão incomum quanto sua literatura.

Ah, Woody, Woody…

29 agosto, 2008

Domingo último, o NYT lançou trechos do diário de filmagem de Vicky Cristina Barcelona. O diário, fake, obviamente, foi escrito pelo próprio Allen, com a intenção, ao que dizem, de divulgar o filme. Acredito mais em fruição descompromissada do que artigo publicitário para atrair público e holofotes. Allen não é disso.  Mas,  independente da divulgação ou não, o texto, como não haveria deixar de ser, é uma delícia.

Aqui, na íntegra, em inglês. Abaixo, tradução livre de Leonardo Cruz.

2 de janeiro: Recebi uma oferta para escrever e filmar em Barcelona. Preciso ser cauteloso. A Espanha é ensolarada, e eu tenho sardas. O dinheiro não é grande coisa, mas o agente negociou para mim um décimo de 1% de tudo o que o filme fizer acima de US$ 400 milhões depois de cobertos os custos da produção.

Nenhuma idéia para Barcelona, a não ser talvez adaptar a história de dois judeus de Hackensack (Nova Jersey) que abrem uma empresa de embalsamamento por correspondência.

5 de março: Encontrei Javier Bardem e Penélope Cruz. Ela é arrebatadora e muito mais sexual do que eu imaginava. Durante a entrevista, minhas calças pegaram fogo.

2 de abril: Ofereci o papel para Scarlett Johansson. Ela disse que, antes que pudesse aceitar, o roteiro teria de ser aprovado por seu agente, depois por sua mãe, de quem ela é muito próxima. A seguir, pela mãe do agente. No meio das negociações, ela mudou de agentes; depois, mudou de mães. Ela é talentosa, mas pode ser problemática.

15 de junho: Trabalho finalmente em curso. Filmei uma tórrida cena de amor entre Scarlett e Javier. Se fosse há alguns poucos anos, eu teria feito o papel de Javier. Quando mencionei isso a Scarlett, ela disse: “U-hu!”, com uma entonação enigmática.

26 de junho: Filmamos na Sagrada Família, a obra-prima de Gaudì. Estava pensando que tenho muito em comum com o grande arquiteto. Ambos desafiamos as convenções, ele com seus projetos de tirar o fôlego e eu usando um babador de lagosta no chuveiro.

3 de agosto: O diretor é parte professor, parte psicólogo, parte figura paterna, guru. É então alguma surpresa que, após algumas semanas de filmagens, Scarlett e Penélope estejam interessadas em mim?

10 de agosto: Dirigi Javier numa cena dramática hoje. Tive que ler as falas para ele. Enquanto ele me imita, vai bem. No momento em que decide atuar por conta própria, se perde. Depois chora e se pergunta como conseguirá sobreviver quando eu não for mais seu diretor.

Wim Wenders aqui? Meu Deus!

18 agosto, 2008

Sim, meus caros, Wim Wenders (eu sempre escrevi Wi(n)m com N, e nunca com M; jornais são úteis) já está no Brasil. Em Porto Alegre, para ser mais exato. Abriria uma champanha caso não fosse abstêmio. Situações como essa exigem um espumante à altura do convidado. Mas deixemos de confetes e vamos ao que interessa.

O alemão mais americano do planeta – ai, Paris, Texas – concedeu entrevista à Folha:

O cinema ainda é capaz de nos mostrar a verdade (eu me sinto mais confortável dizendo “uma” verdade). Por isso o cinema é tão urgente hoje, e é por isso que cineastas têm uma responsabilidade inteiramente nova. É como se todas as outras mídias, especialmente a TV, tivessem desistido de mostrar o mundo sem preconceitos. Filmes podem transportar melhor as pessoas para outros lugares. Podem nos fazer mergulhar em outros países, em outras culturas, em diferentes linguagens. Mais do que nunca, na era global, filmes podem nos ajudar a descobrir locais e culturas específicas, não só “generalizações”. O fotógrafo hoje está mais acostumado do que qualquer outro com a manipulação e a mentira. Às vezes acho que não existem mais imagens que não tenham sido alteradas digitalmente. Os fotógrafos vivem na linha de frente da era digital. São mais expostos a essas infinitas tentações do que qualquer outro.

Alguém discorda?

Toda a tecnologia que os jovens têm à sua disposição está mudando a forma como enxergam o mundo audiovisual e o processo de filmar. O YouTube tem um impacto gigantesco. Estou dando aula de cinema digital na Escola de Artes de Hamburgo (Alemanha) e meus alunos fazem filmes com pequenas câmeras e celulares. Também atuei muito no projeto filmaka.com, espécie de academia de cinema baseada na internet. Todo o conteúdo foi criado digitalmente.

O mais legal no Wenders, além dos filmes que nos legou, é sua disposição para o diálogo com as “novas tecnologias”.

Ainda pretendo filmar nos EUA. Tenho afinidade muito grande com atores americanos, com a paisagem americana, com romances do país. Mas meu “sonho americano” pessoal acabou há muito tempo. Foi quando percebi que nunca me tornaria um “cineasta americano”. E que, no meu coração, era um alemão romântico e que minha profissão sempre seria a de um “cineasta europeu”.

Melhor assim.

Mesmo que tenha trabalhado com prazer nos EUA, onde fiz meus últimos seis filmes, me senti isolado, achei que estava enxergando o mundo a partir da periferia. Hollywood acha que é o centro do mundo. Pode ser verdade para alguns, mas não para um viajante como eu. Sinto, cada vez mais, a necessidade de me reconectar ao resto do mundo. Filmei “Palermo Shooting” em minha cidade natal (Düsseldorf, Alemanha) e na Sicília. Estou ansioso com o meu próximo filme, que será rodado em Tóquio. “Palermo” pode ter a forma de um thriller romântico, mas na sua essência é um filme sem modelo. Tanto quanto adoro filmes de “gênero”, acho difícil obedecer às regras deles. Na verdade, provavelmente gosto de filmes de gênero porque ele tem fronteiras que podem ser cruzadas.

É isso! É isso!

Violência nos filmes não é só uma tendência, mas um ingrediente importante do cinema contemporâneo. Infelizmente, diversos filmes são feitos apenas porque têm elementos de violência. E, mais triste ainda, vários deixam de ser produzidos porque se recusam a entrar nesse território. Mas não me oponho ao uso da violência de uma forma geral. Sempre há filmes em que a violência é um elemento importante e necessário. Afinal, existe a violência no mundo. Apenas odeio quando vejo um filme e me dou conta que ela está lá de forma aleatória, sem me fazer entender suas origens, suas raízes.

O Mel Gibson poderia recortar este trecho e colar na geladeira.

O que me atrai mais do que qualquer coisa é: o que ainda não sei? E me parece que o filme de terror, ou aquele tipo de thriller com elementos de medo, não tem sido usado para incorporar outros temas. Acho isso extremamente interessante.

Olha aí a dica para os nossos cineastas que adoram uma favelinha.

Para os desavisados, um recadinho: sexta-feira, às 16h, lá no Masp, Wim Wenders será sabatinado. Walter Salles, claro, é um dos sabatinadores. Para participar, é necessário ser assinante da Folha e se inscrever antes, do contrário, segurança de 2 metros e portada no nariz.

Até lá.

Escola da Praça

31 julho, 2008

A melhor notícia da semana saiu na Folha de hoje:

“Um prédio abandonado de 12 andares na praça Roosevelt, em SP, vai virar centro de capacitação para o teatro até julho do ano que vem. Financiado pela Secretaria Estadual da Cultura, o projeto Escola da Praça – Centro de Formação das Artes do Palco vai abrir oito cursos, de iluminação a dramaturgia, com bolsas de R$400 mensais. O ator e diretor Ivam Cabral, de Os Satyros, é um dos idealizadores do projeto.”

Trecho da entrevista com Ivam:

Folha – Haverá remuneração?

Cabral – Sim, para professores e alunos. As aulas serão de segunda a sexta, com duração de dois anos. Então os estudantes receberão uma bolsa de cerca de R$400. Para cada um dos oito cursos haverá de 15 a 25 vagas. O investimento será de cerca de R$4milhões por ano.


Ser remunerado para estudar é tudo que o teatro poderia pedir a Baco. Evoé!