Carver
6 março, 2010
Há inúmeras maneiras de descrever os personagens de Raymond Carver: fracassados, desiludidos, perdidos, resignados, estacionados, descrentes, alcoólatras, divorciados, etc. Muito já se falou desses personagens. Caipiras de shopping center, nas palavras do editor de Carver. Embora não me lembre de ninguém falar sobre Henry Kuhlken.
Henry é um personagem mais do que secundário. É daqueles tipos que abre e fecha portas, e diz até logo, e só. Faz parte de um conto que ninguém dá lá muita bola, mas que é tão bom quanto Uma coisinha boa, Diga às mulheres que a gente já vai ou Iniciantes.
Se vocês não se importam é o nome do conto. Um casal vai jogar bingo todas as sextas-feiras. O marido era alcoólatra e agora faz tricô. A esposa sangra. Isso é Carver, rapaz. Mas não quero falar do conto e sim de Kuhlken. Ele aparece dado momento e diz boa noite ao casal. Só isso? Sim, só isso. E então o narrador nos diz quem é Henry Kuhlken.
Kuhlken era um homem corpulento e grisalho, que tinha perdido um filho num acidente de barco, anos antes. Sua esposa o deixou por outro homem, pouco depois disso. Passou a beber muito, depois de um tempo, e mais tarde foi parar nos Alcoólicos Anônimos, onde James o conheceu e soube da sua história. Agora, era dono de um dos dois postos de gasolina da cidadezinha e às vezes fazia uns reparos de mecânica no carro deles.
É, já falaram um bocado acerca da temática e da literatura e dos personagens de Carver. Se tivesse que resumir pra alguém o que é ou sobre o que trata Carver, falaria de Kuhlken.
eis uma breve sinopse da literatura brasileira contemporânea:
11 fevereiro, 2010
Quando não estou por perto, Annita Costa Malufe
Versos sofisticados e inteligentes, construindo uma poética cerebrina e sensível.
(Cerebrina. Legal.)
Perfume do Pau Rosa, Luiz Gonzaga Lauschner
Romance que traça o percurso do pau rosa, da Floresta Amazônica às perfumarias.
(Já me interessei.)
O Homem dos patos, Diana de Hollanda Cavalcanti
Proposta que envolve múltiplas linguagens. A jovem autora se destaca em diversas formas de arte.
(Alguém pode explicar isso pra mim?)
Um útero é do tamanho de um punho, Angélica Aires de Freitas
Poesia ousada com trabalho de texto promissor e original.
(Nem mesmo um aluno de 5º série escreveria sinopse tão primária; Angélica deve estar gargalhando até agora do resumo que fizeram do seu livro.)
Opisanie swiata, Veronica Antonine Stigger
Novela de linguagem instigante e envolvente que coloca o leitor na mesma posição do estrangeiro tematizado no livro.
(Posso roncar agora? Stigger é maior do que isso.)
Garotos malditos, Santiago Nazarian
Romance juvenil provocativo e original. Prende o interesse do leitor com sua escrita inteligente.
(É o autor de sempre no “romance” de sempre. Taí um “escritor” que é menor que o resumo de sua obra.)
Esses, e outros livros, foram contemplados pelo Programa Petrobrás Cultural 2008/2009. Não sei quanto cada escritor vai morder dos R$ 918 mil alocados para literatura, mas não é pouco. Receber para escrever deve ser uma delícia, embora alguns deveriam pagar para que os lêssemos.
e eu aqui imaginando que Salinger era do tipo imortal. (esgares faciais a expressar uma dorzinha que podemos chamar de tristeza.)
28 janeiro, 2010
é por essas e outras que digo: saiba escolher a companheira certa e terá Bellow como desjejum no Natal
25 dezembro, 2009
Sou americano, nascido em Chicago – Chicago, aquela cidade sombria -, e faço coisas do jeito que aprendi sozinho a fazer, estilo livre. Então, vou fazer o registro ao meu modo: a primeira ideia que bater será também a primeira a entrar; às vezes uma batida inocente, outras nem tanto. Mas o caráter de um homem é seu destino, como diz Heráclito, e no fundo não há como disfarçar a natureza das batidas, nem fazendo um tratamento acústico na porta nem cobrindo o nó dos dedos com luva.
Todo mundo sabe que não existe precisão nem apuro na supressão; se você corta uma coisa, acaba amputando o que está ao lado.
Sad Christmas
24 dezembro, 2009
Eu até pensei em escrever alguma coisa sobre o Natal, mas daí lembrei que são 16:16 e eu ainda não achei a minha agendinha, e é lá que estão os nomes das pessoas que eu costumo ligar no dia 24. E afinal as pessoas esperam ligações minhas no dia 24. Minto. Sim, minto. As pessoas não esperam ligações minhas no dia 24, e nem eu costumo ligar pra quem quer que seja no dia 24, mas é importante dizermos que realmente há pessoas que esperam ligações nossas. O Natal serve para aproximar as pessoas. Minto novamente.
Sei lá.
Reli uns contos natalinos, todos altamente recomendáveis, e cheguei a separar trechos desses mesmos contos pra despejá-los aqui hoje, mas eu fui perdendo a vontade, sabe? Não, não sabe. Então, eu perdi. Desculpa aí.
Eu vou ali procurar a minha agendinha porque eu preciso fazer ligações e afinal as pessoas estão esperando ligações minhas, sabe como é, né? (depois de dizer isso eu soltei um risinho sem graça e amarelo mesmo).
Aí, abaixo, tem um presente de Natal adiantado (um texto curto & breve & engraçado & triste do Bortolotto; o texto está na íntegra e eu não creio que o Bortolotto vá lá se importar por eu ter decalcado o texto todo aqui; é isso aí).
SAD CHRISTMAS
Personagens : Marcos e Emerson
(Marcos está sozinho em casa. Barulho de campainha. Ele atende. Aparece Emerson na porta segurando um pacote de supermercado)
EMERSON : Sua mulher tá aí?
MARCOS : Não. Foi passar o natal com a família.
EMERSON : Sinto muito.
MARCOS : A gente não precisa escrever uma novela por causa disso. Você nem gosta dela.
EMERSON : É.
MARCOS : Muitos amigos meus não gostam. Outros gostam até demais.
EMERSON : Eu sou seu amigo?
MARCOS : O que você tem aí?
EMERSON : Ah, é cerveja.
MARCOS : Hum.
EMERSON : Quer uma?
(Marcos pega uma latinha. Abre e dá um gole)
MARCOS : Tá quente. Coloca o resto na geladeira. (Emerson vai até a cozinha. Pausa. Marcos senta-se em uma poltrona. Emerson volta segurando uma latinha de cerveja) Você já tá meio alto.
EMERSON : É. Eu andei bebendo.
MARCOS : Hum.
EMERSON : (senta-se em outra poltrona) Faz uma semana que eu tô bebendo. Sabe como é.
MARCOS : Hum.
EMERSON : É. Com pequenos intervalos sóbrios. (pausa) Muito pequenos. Escuta, não tem perigo dela voltar de repente?
MARCOS : Não. Ela gosta da família dela.
EMERSON : Sabe, Marcos, eu estive pensando.
MARCOS : Na irmã do Jarbas?
EMERSON : Como é que você sabe?
MARCOS : Acho que todos os caras da Bela Vista pensam na irmã do Jarbas.
EMERSON : Pobre Jarbas. (pausa) Mas eu não sou da Bela Vista.
MARCOS : Os pensamentos maliciosos a respeito da irmã do Jarbas não conhecem fronteiras.
EMERSON : Ela é um negócio, não é?
MARCOS : Você pôs a cerveja no congelador?
EMERSON : Na gaveta.
MARCOS : Vai demorar uma semana pra gelar.
EMERSON : Eu vou passar pro congelador.
MARCOS : Faz isso. Como é que você conseguiu dinheiro pra cerveja?
EMERSON : Ah, é uma longa história.
MARCOS : Eu não pretendo ir a lugar algum nas próximas 48 horas. Tente ser sucinto. Se não, eu agüento.
EMERSON : Você sabe, aquela garota com quem eu tava morando em Campinas.
MARCOS : Sei. O que é que tem ela?
EMERSON : Ela me pagou pra ir embora da casa dela.
MARCOS : É mesmo, é?
EMERSON : É. Ela falou: Não agüento mais você. Não agüento mais a sua cara. Não agüento mais seu mau humor. Não agüento mais ver você destratando minhas amigas. Quero que você saia da minha casa. Eu então falei: Eu não vou não. Não tenho pra onde ir. Ela então disse: Quero que você se dane. Eu vou sair. Quando eu voltar, não quero encontrar você aqui.
MARCOS : Será que a cerveja tá melhor?
EMERSON : Você quer dizer, mais gelada?
MARCOS : Menos incandescente. (Marcos levanta-se e vai até à cozinha)
EMERSON : (andando atrás dele. Para na porta da cozinha. Não é possível ver Marcos em cena. Só ouve-se a voz dele) Quando ela voltou eu tava lá.
MARCOS : Foi o que eu imaginei.
EMERSON : Tava lá, sentado no sofá, assistindo Nathional Geographic. Cara, eu adorava aquela tv a cabo.
MARCOS : (entrando na sala segurando uma latinha de cerveja. Entrega outra lata à Emerson) E o que foi que ela fez?
EMERSON : Ela disse: Eu não falei que era pra você ir embora? Eu disse: Eu não vou. Não vou. Não tenho pra onde ir. Ela disse que ia chamar a polícia.
MARCOS : (voltando a sentar-se na poltrona) Hum.
EMERSON : Eu falei: Chama. Pelo menos lá eu tenho lugar pra comer, pra dormir. Ela percebendo que não ia conseguir nada, resolveu apelar.
MARCOS : Foi aí que ela te deu uma grana?
EMERSON : É. Ela falou: Se eu te der uma grana, você vai embora? Eu disse: Aí pode ser. Eu ainda banquei o difícil, mas deixei claro que estava aberto a negociações.
MARCOS : Sei como é.
EMERSON : Ela então pegou o talão de cheques da sua bolsa. Quando vi aquilo, fui categórico e conclusivo: Cheque eu não aceito.
MARCOS : Você disse isso? Cheque eu não aceito?
EMERSON : É isso aí. Cheque eu não aceito.
MARCOS : E ela?
EMERSON : Saiu pra trocar o cheque. Você tem que considerar que estamos falando de um fato que aconteceu no período noturno quando os bem aventurados e prósperos negociantes já estão repousando em seus sagrados lares.
MARCOS : Claro.
EMERSON : Ela saiu pra trocar o cheque.
MARCOS : Ela não tinha cartão? Não podia passar num banco 24 horas?
EMERSON : Não existem mais bancos 24 horas. Você sabe disso.
MARCOS : Eu não sei. Eu não tenho conta em banco.
EMERSON : Não existem mais bancos 24 horas. Os caras se borram com medo dos assaltos. Era uma boa idéia essa dos bancos 24 horas. Mas eles não existem mais. O mercado informal do latrocínio acabou com mais essa livre iniciativa do sistema bancário.
MARCOS : E aí ela trocou o cheque, te deu o dinheiro e você foi embora?
EMERSON : Foi mais ou menos assim. Antes eu acabei de ver o programa do Nathional Geographic. Tinha que saber o que ia acontecer com o elefantinho que havia se perdido da manada.
MARCOS : Eles vivem fazendo isso.
EMERSON : Como é que pode, Marcos? Os pobres elefantinhos. Eles sempre se perdem das manadas.
MARCOS : Sempre.
EMERSON : Eu realmente não suporto isso. Pobres elefantinhos. Fico deprimido o dia inteiro quando acontece esse tipo de coisa.
MARCOS : E aí você comprou cerveja e ficou bebendo.
EMERSON : É…quer dizer, não apenas cerveja, você sabe.
MARCOS : Você é um merda mesmo.
EMERSON : E você se acha muito, não é, Marcos? Você sempre se achou pra caramba. Sempre sentado na merda e se comportando como se fosse um rei, um lord inglês ou qualquer um desses caras posudos.
MARCOS : Você veio aqui pra me ofender?
EMERSON : Qualquer hora dessas eu vou pisar na sua cabeça. Vou acabar com você.
MARCOS : Você tá bêbado.
EMERSON : É. E daí? Mesmo bêbado eu ainda acabo com você. Eu piso na sua cabeça. Eu te destruo. Eu pulverizo você.
(Marcos levanta-se e anda devagar em direção à Emerson. Fica frente a frente com ele, muito próximos)
MARCOS : Emerson.
EMERSON : O que é?
MARCOS : Eu vou te dar uma porrada.
(pausa. Emerson mostra-se sinceramente ofendido)
EMERSON : Eu vou embora. Nunca me senti tão ofendido. Eu só volto aqui no ano que vem.
MARCOS : Não se apresse. O ano que vem é daqui há cinco dias.
(Emerson sai. Marcos fica sozinho. Liga a tv. Ouve-se nitidamente a voz da locutora do Nathional Geographic)
if you’re good at something it’s very hard not to do it.
24 novembro, 2009
Wall Street Journal: The last five years have seemed very productive for you. Have there been fallow periods in your writing?
Cormac McCarthy: I don’t think there’s any rich period or fallow period. That’s just a perception you get from what’s published. Your busiest day might be watching some ants carrying bread crumbs. Someone asked Flannery O’Connor why she wrote, and she said, “Because I was good at it.” And I think that’s the right answer. If you’re good at something it’s very hard not to do it. In talking to older people who’ve had good lives, inevitably half of them will say, “The most significant thing in my life is that I’ve been extraordinarily lucky.” And when you hear that you know you’re hearing the truth. It doesn’t diminish their talent or industry. You can have all that and fail.
What is your definition of love?
13 novembro, 2009
DFW por Zadie Smith: ou A leitura como uma habilidade e uma arte
30 setembro, 2009
Smith: Eu penso na leitura como uma habilidade e uma arte. E se você lê mal – Eu sempre penso num bom exemplo – Tenho tentado escrever um artigo sobre [David] Foster Wallace e quando você lê Foster Wallace pela primeira vez, ou quando os críticos o lêem, eles o devolvem com aquilo que eles acreditam que viram, que é algum espertinho muito sabido com uma linguagem inteligente, mas eles não tem idéia de que isso –-
Silverblatt: Sim, que ele está tentando determinar o que é verdadeiro. O que pode ser dito de forma verdadeira.
Smith: Exatamente. Um incrível escritor altamente ético e moral. Mas há alguns tipos de camadas superficiais nele que, se você não pode perder seu tempo pra pensar mais a fundo, parece apenas, “Aqui está um cara inteligente com suas histórias espertalhonas”. E isso não é verdade. Mas o problema com os leitores, a idéia que nos é dada sobre leitura é que o modelo do leitor é uma pessoa vendo um filme, ou assistindo televisão. Então a idéia principal é, “Eu devo sentar aqui e ser entretido.” E o modelo mais clássico é a idéia do leitor como um músico amador. Um músico amador que senta no piano, tem a sua peça musical, que é a criação, feita por alguém que ele não conhece e provavelmente não pode compreender por inteiro, ele tem que usar suas habilidades para tocar essa música. Melhor a habilidade, melhor é a doação que você oferece ao artista e que o artista oferece a você. Essa é uma idéia sobre leitura incrivelmente fora de moda. Ainda assim, quando você pratica a leitura, e trabalha num texto, ele só pode lhe oferecer aquilo que você dedica a ele. É uma lição antiga, mas inteiramente verdadeira.
[Dessa vez negritei o que acho importante nunca mais esquecer (para mim). Nas outras vezes negritei o que achava importante você, meu leitor imaginário, reter; sei que você é preguiçoso, e daí que essa foi a melhor forma que encontrei para fazer com que você lesse ao menos o que se mostrava em destaque. Enfim.]
Via Renato Parada.
Diálogos
1 julho, 2009
Já disse em diversas ocasiões que diálogo real é uma merda. Uma merda. Certa feita, saí aos socos com um colega que insistia que o bom diálogo é mera transcrição do diálogo real. Não é. Diálogo real é diálogo real, e diálogo ficcional é diálogo ficcional. Escritores são escritores e copidesques são copidesques.
Adendo: dei-lhe um olho roxo e fiquei dois dias de cama, tomando suco de canudinho. Não entendia nada de diálogos, mas tinha uma esquerda mais virulenta do que as sentenças de Elmore Leonard.
Ao que interessa, ok: esse preâmbulo imbecil é para reforçar o quanto diálogos literários me são caros. Dou valor demasiado a eles. Estou sempre atento aos diálogos. Diria que mais do que o enredo e as descrições e os conflitos, o diálogo é que me deixa siderado. Um bom diálogo é melhor do que sexo.
Richard Price, principalmente, e Neil Gaiman sabem muito bem disso (assista tudo; são só 4min e 29s, então não me venha dizer que não tem tempo):
Além de dormir, filmes #3
12 junho, 2009
Nas últimas semanas vi alguns filmes, mas só vou falar de quatro, afinal meus dedos e parte do meu intelecto estão sendo sugados todas as manhãs por adolescentes vegetarianos e que mais se comunicam com celulares e estojos de maquiagem do que com seres com cartilagem e que emitem códigos de linguagem e não apenas ruídos sonoros indecifráveis.




Um jogo de vida ou morte
Perdi o filme na época do lançamento (2007), mas guardei nomes. Kenneth Branagh na direção, Harold Pinter como roteirista e Jude Law e Michael Caine como intérpretes. Não são meros nomes. Ter Harold Pinter como roteirista é sonho de 10 entre 10 cineastas (depois de sua morte, sonho de 11 entre 10 cineastas). E temos Sir Branagh Shakespeare por trás das lentes. O filme é baseado na peça teatral de Anthony Shaffer, e, como se sabe, transpor dramaturgia para a sala escura é pedra de sísifo. O resultado é um filme teatral. No bom sentido. Ainda assim, aquém das minhas expectativas (quem mandou criar expectativas, não é mesmo?).




Minnie and Moskowitz
Revi Minnie and Moskowitz porque precisava amar novamente. Nem que fosse um amor de mentirinha, e por uma personagem de ficção, precisava (não julgue minhas atitudes). Estou apaixonado por Minnie como da primeira vez em que nos encontramos. Tinha 22 anos à época, e lembro que chorei. Hoje, não. Sorria e praticamente dançava na sala, como que desejando ser Moskowitz, ao menos de vez em quando.




Coraline e o mundo secreto
Gaiman dependesse de adaptações cinematográficas para ser reconhecido, estaria atolado em dívidas (as duas estrelas traduzem apenas um pedido de minha filha, que ficou apaixonada por Coraline).




O exterminador do futuro: A salvação
McG me fez rir com As panteras. McG me fez dormir com O exterminador do futuro: A salvação.
P.S.: Só Cassavetes pode dispor de música noiva no altar e não soar piegas ou old fashioned. Só Cassavetes.







