Zumbilândia
29 janeiro, 2010




Zumbilândia
Na orelha do romance Areia nos Dentes (Antônio Xerxenesky), Daniel Galera é direto: Se tem zumbis no meio, só pode ser bom. Acrescento: só pode ser divertido. Acrescento ainda: sem tem Bill Murray no meio (e aqui tem), basta comprar a pipoca e se refestelar no sofá. E digo mais: os americanos estão assistindo Joon-ho. Zumbilândia comprova isso. É um filme bicho-papão de gêneros, tal como O Hospedeiro.
Eu ri. Tomei alguns sustos. Fiquei apaixonado. E, como não poderia deixar de ser, chorei.
Minto. Mas ri mais do que esperava e merecia. Desde Whatever Works não soltava gargalhadas assim, com tanto entusiasmo. E inteligência, tá ok. IN-TELI-GÊN-CIA. Porque acima de tudo é um filme que sabe se aproveitar de cada situação aparentemente desnecessária. E mesmo as digressões, um tanto longas para os padrões hollywoodianos, mas nunca despropositadas ou acidentais, são a cereja do bolo. Clichê demais para você?
Pois sim. É de clichês e referências e lugares-comuns que Zumbilândia retira um bocado de sua graça. Mas não só. Os diálogos não fazem feio a nenhum Apatow e demais genéricos. Diria até que Apatow deveria contratar as quatro mãos que escreveram Zumbilândia para escrever seu próximo filme. Kevin Smith disse aos amigos íntimos (aos prantos) que nem o seu Balconista (um filme assentado sob e por diálogos) fazia par ao brilhantismo de Zumbilândia. Minto novamente, claro, mas Smith, asseguro-lhes, sentiu inveja.
A mesma inveja que os atores de 20 e tantos anos estão sentindo de Jesse Einsenberg. Desde O Clube do Imperador estou atento a Einsenberg. Mas foi em A Lula e a Baleia que fiquei a colecionar elogios e guardar seu nome. Revi o filme inúmeras vezes, e a cada revisão Einsenberg me surpreendia mais. Explico: Jesse atua em registro “naturalista falseado”, e dá a impressão (falsa, logicamente) de que o que faz o seu Josias da quitanda faria se pedíssemos com jeitinho. Ledo engano (confiram Adventureland e digam se estou equivocado). O que Jesse faz poucos atores nessa faixa de idade são capazes de fazer (Ryan Gosling é um nome e Paul Dano outro, mas em chaves opostas). Por fim: Jesse é um típico personagem de Woody Allen, um tanto abobalhado e desprovido da assertividade tão comum aos Ashton Kutcher da vida. Daí a graça involuntária (e o sentimento natural de empatia) que seus personagens despertam.
Por fim 2: Bill Murray faz Bill Murray. Eu realmente preciso falar mais alguma coisa?
e eu aqui imaginando que Salinger era do tipo imortal. (esgares faciais a expressar uma dorzinha que podemos chamar de tristeza.)
28 janeiro, 2010
Não riam de mim #10
27 janeiro, 2010
Fui criança e adolescente, pode acreditar. Jogava videogame o dia todo e tomava chá e assistia Sessão da Tarde religiosamente. Poucas crianças foram felizes como eu fui. Só os que foram criados por avós podem dizer isso sem culpa. Minha avó é minha infância. Toda ela. De ponta a ponta, sem intervalos. Nada de mamãe & papai e datas comemorativas. Acordava e dormia sob os seus cuidados. Ainda há pouco ri um bocado dela. Indicou-me um tratamento para as minhas espinhas.
- Sabe, Lucas, eu andei vendo que xixi é bom pra tirar essas espinhas aí.
- É?
- É. Xixi. Aqueles de jejum só. Separei um potinho lá e enchi pra você.
- De xixi?
- É. Essas espinhas aí vão sumir num instante.
- Mas já tem xixi lá?
- Eu fiz tudo bem cedinho, antes de tomar café.
Toda infância deveria ser preenchida por pessoas assim.
era tudo muito bonitinho, superprodução.
22 janeiro, 2010
Houve um momento em que você teve um ponto de contato com o teatrão, quando o Raul Cortez comprou sua peça e montou no Teatro Faap. Você cedeu os direitos porque precisava da grana?
Bortolotto - Eu sempre gostei do Raul Cortez. E quanto ao dinheiro… Não foi por estar precisando. Vou falar sério para você: de 2000 para cá eu nunca mais precisei de grana. Até 2000 eu passava fome, não tinha dinheiro para comer. Comia cachorro-quente ali, era meu almoço. Eu sempre ganhei pouco, mas vivo com pouco também. Depois que ganhei o prêmio Shell, o APCA, fiz a mostra no Centro Cultural São Paulo, a partir dali sempre pintou um trabalhinho para mim, eu consegui me manter. Comprei essa quitinete com os direitos que vendi para o Raul Cortez e os diretos de Nossa Vida Não Vale Um Chevrolet. Não gostei da montagem do Raul porque ele ficou com um pé num barco e com um pé no outro. Vem um cara que é fã dele e não gosta, vem um cara que é fã meu e não gosta. Era tudo muito bonitinho, superprodução. Tinha de fazer num teatro mais modesto, com recursos mínimos, com um diretor que obrigasse a uma interpretação visceral.
O que é uma interpretação visceral, em sua opinião?
Bortolotto - Quando falo visceral, falo de interpretar com verdade. Eu não preciso muito disso porque já sei o que tô fazendo. Eu escrevi, eu conheço esse universo. Faço com verdade, neguinho acredita no que estou fazendo. E os atores que eu chamo é porque sei que podem trabalhar na mesma sintonia. Não é assim essa coisa de preparação de atores, de arrancar pedaço do corpo, de sair gritando, rolando no chão. Isso para mim é palhaçada, é histeria, não é ser visceral. Ser visceral é ser verdadeiro, para mim. É ir até o fundo do poço. E quando eu vou ao fundo do poço, eu não vou me cansar muito, porque eu já conheço o fundo do poço.
Aceito, sim, por que não?
20 janeiro, 2010
resoluções 2010.
18 janeiro, 2010
1. Não morrer
2. Comprar um relógio espião de 2gb
3. Adquirir o quanto antes um roupão e um daqueles chinelos confortáveis do papai
4. Não permitir que vendedores digam Eu o acompanho até a porta, senhor
5. Não dar atenção a pessoas que falam sorrindo
6. Comprar ingresso para ver o Sergio Marone no teatro ainda no mês de janeiro
7. Observar senhores na casa de seus 60, 70, 80 anos correndo em via pública com os acessórios devidos (meia social cinza e tênis Rainha e bermuda no limite da virilha) e repensar se vale mesmo a pena o sacrifício de atingir uma longevidade assim, patética
8. Não vitimizar-se; a culpa é sempre sua, baby
9. Não ler blogs em que as palavras são trocadas por pontos de exclamação & interjeições
10. Não fazer novas amizades (sobretudo com atores)
11. Ao acordar, repetir baixinho, tipo um mantra mesmo: sua vida é essa, sua vida é essa, sua vida é essa…
você não imagina o que somos capazes de fazer quando temos um objetivo.
17 janeiro, 2010
É mais ou menos isso que diz o personagem de Nicolas Cage em Vício Frenético. A expressão não tem nada de auto-ajuda não, muito menos o filme, e você aí poderia dizer que se trata de um lugar-comum, coisa de cinema. Em parte eu também acho, afinal todos sabemos que se investirmos bastante em algo esse algo fica mais próximo. Ou mais longe. E eu realmente não dava lá muita bola pra essa afirmação antes de ouvi-la na boca do Cage.
Você não imagina o que somos capazes de fazer quando temos um objetivo.
Mas fiquei pensando bastante nisso. Pensei em como diariamente, semanalmente, anualmente, desperdiçamos nossa vida em coisas banais, coisas que não têm o menor sentido (mediocridades mesmo). E no fundo nós sabemos muito bem que estamos desperdiçando alguma coisa. Por vezes, demoramos uma vida inteira nos distraindo de nossos objetivos primeiros.
Distrair. Taí: eu vivo me distraindo.
As 11 (ou 15) melhores peças de 2009 (2º semestre)
15 janeiro, 2010
(Foto: Cachorro Morto, de Leonardo Moreira)
1. Music Hall
2. La Douleur/Le Grand Inquisiteur/Hamlet-Máquina
3. A Falecida Vapt-Vupt
4. Memórias do Subsolo
5. Cachorro Morto
6. Quartett
7. Till – A Saga de Um Herói Torto
8. Celebração/ Das Cinzas/ Mercadorias e Futuros
9. A Mulher que Ri
10. Strindbergman
11. Escuro
Menções Honrosas:
Rock’n'Roll, Veleidades Tropicais, A Inveja dos Anjos, Dueto da Solidão, Sonho de Outono, Prêt-à-Porter (coletânea 2), X Moradias, Brutal, O Livro dos Monstros Guardados, Chorávamos Terra Ontem à Noite, Honey, A Terrível Voz de Satã, Lamartine Babo, Felizes para Sempre, Notas da Superfície, Festa de Separação: Um Documentário Cênico, Manter em Local Seco e Arejado, Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade, Lá Fora Vai Estar Chovendo Sempre, Machado (assim).
Piores Espetáculos:
Bruta Flor, Maria Stuart, Escuta, Zé Mane!, Drive-Thru, Tanto, Casa de Cinzas – Terra Fechada.
Não há ordem classificatória nesta e nas demais listas que faço aqui no blog (é sempre bom ressaltar), portanto o número 1 equivale ao número 11 e vice-versa. Certamente esqueci algumas encenações, o que torna esta lista in progress.
P.S.: Montagens outras ficaram no meio do caminho, isto é: nem figuram no rol das Menções ou dos Piores espetáculos, e menos ainda na Lista dos 11 (15).
Vic
14 janeiro, 2010
Shotgun Stories
13 janeiro, 2010
- Ainda não entendo por que continua a dormir naquela coisa.
- É melhor do que pagar aluguel. Se tivesse uma casa, tinha de arranjar um emprego no verão.
(…)
- Tenho de fazê-la voltar para casa.
- Tem de parar de jogar.
- Não é o jogo. Mesmo que seja o que ela diz, não é isso. Ela só quer que eu pare de fazer merda. Trazer para casa o salário, ser feliz e ganhar $20.000 por ano. Consigo fazer melhor do que isso. Melhor para mim, melhor para ela.
(…)
- Acho que vou pedir a Cheryl em casamento. Disse que me esqueci daquele aumento, e vou comprar um anel.
- Parece bom.
- Será que vou conseguir cuidar dela? Não tenho carro. Não tenho casa. Durmo numa tenda maldita! Isto é duro. Uma vida inteira é muito tempo só para duas pessoas. Nem sei se consigo ser fiel.
- Só tem de decidir que é ela que vai amar… e depois amá-la. O resto acontece sozinho.







