Funny People

18 dezembro, 2009 · Imprimir

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★★★½☆  Funny People

É incrível como esse filmeco me pegou de jeito. Estava desarmado e tudo, mas não costumo cair nas maquinações (leia-se, também, escatologias) de Apatow. Dessa vez, sem muito alarde, fui fisgado. É uma história triste. Precisamente: é uma história triste (outros dirão o contrário; não os ouça). Falo do Apatow de O Virgem de 40 anos (que já é um filme triste, sim) e  Ligeiramente Grávidos (outro exemplo de um filminho nada joy-JOY e tal; falo sério, ok). Crescer é uma barra, nos lembra Apatow. Crescer e ser rico e famoso pode ser pior ainda.

Adam Sandler (tão bem quanto em Punch-Drunk Love) faz um comediante que descobre estar nas últimas (não adianto nada, fica frio, isso é mostrado após a abertura, que é hilária). Um comediante mundialmente reconhecido. Falo de fama & dinheiro & mulheres. Enfim, o pacote todo. Deveria ser feliz, não?

Pois não é. Não só a doença terminal o arrasta de volta ao passado (que é pra onde sempre retornamos quando o presente nos diz que daqui pra frente tudo tende a piorar ainda mais), mas também suas escolhas, hum, um tanto quanto “idiossincráticas”.

Pois sim: doença terminal, fama & dinheiro, infelicidade etc., e tudo nos dizendo que as pessoas, mesmo as idiossincráticas, merecem uma segunda (ou terceira e quarta) chance. Piegas sobremaneira? Melodrama à Manoel Carlos?

Não me faça rir. Apatow não é nem de longe o maior piadista, comediante, diretor, produtor, roteirista, dono de cabaré, proxeneta ou mesmo fazedor de cafés  norte-americano que já houve ou há, mas é um sujeito que sabe muito bem dispor de seu material e tocar os instrumentos com certa desenvoltura. E é isso que temos: um filme de falsas segundas chances que faz rir e chorar em 150 minutos. Disse 150 minutos?

Engano meu: 146 minutos. Cravados. Sem tira nem pôr. Reconheço: o filme se arrasta depois dos 110 minutos, e Apatow não deveria ser tão complacente assim com seu clímax-desfecho e tal, mas acabo aceitando, afinal é aquele filme que o cara segredou durante anos o roteiro, burilando-o durante as noites insones, e o desejo de colocar-tudo-agora-ao-mesmo-tempo quando feito com verdade deve também ser aceito com certa dose de resignação. Pois aceito não só resignado mas feliz. É a obra mais tocante e divertida de Apatow, o filme definitivo (até o momento; dessa década, vai) sobre a vida dos stand-up e comediantes de ocasião. E seria a Comédia do Ano se os distribuidores tivessem culhões para lançar o filme no cinema. Alegaram que não é um filme com tempero latino, coisas desse tipo, e daí que o filme chega às locadoras em 6 de janeiro.

Reitero: é um filme triste. Outros dirão o contrário; não os ouça.

Comentários

2 comentários em “Funny People”

  1. Patrícia em 28/12/09 - 10:11 am

    Eita, achei que só eu passava o Natal revendo filmes.
    bjo

  2. Patrícia em 28/12/09 - 10:16 am

    Ah…….acho que sempre retornamos ao passado por sempre nos parece melhor que o presente….É meio melancólico.

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