Hotel Atlântico/ No Meu Lugar
27 novembro, 2009 · Imprimir
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Hotel Atlântico
Suzana Amaral faz uso de dentadura (tal como minha vó), utiliza as estrelinhas da Folha pra dizer se um filme é bom ou ruim (acerca de Amantes, um dos maiores filmes do ano, disse o seguinte: drama romântico sem reverberação; em outras palavras, duas estrelinhas de um total de 4), e, no mais, dirigiu A Hora da Estrela (minha avó não). Suzana, como minha vó, tem 70 e tantos anos. Maturidade? Pois sim. Minha vó, vez por outra, como Suzana Amaral, faz e diz bobagens. Hotel Atlântico é um drama existencialista-onírico sem reverberação, para usarmos um termo caro à crítica-cineasta Suzana Amaral. Vovó assistiu ao filme do meu lado, e antes que os créditos enfim aparecessem, disse-me: Quando não é favela é essa gente perdida, hedonista ou que só sabe trepar… Antes que vovó concluísse, pedi mais uma porção de pipoca, e enveredamos por um assunto qualquer (talvez Lee Van Cleef, que ela adora), a fim de dar alguma serventia àqueles assentos tão confortáveis do Espaço Unibanco.




No Meu Lugar
Eduardo Valente é dos críticos brasileiros que mais leio (na internet, obviamente). Gosto do cara. Gosto dos curtas. Gosto das críticas. No meu Lugar é um filme de alguém que viu muitos filmes. Isso é bom e ruim. O lado bom: Eduardo sabe posicionar a câmera no lugar certo e, sobretudo, sabe que um plano deve ter uma duração bem particular (quase exata). O lado ruim: o excesso de racionalidade, o esquematismo, a perfectibilidade artificiosa e os não-respiros. É tudo tão engenhosamente calculado que mesmo os atores (competentíssimos) parecem marionetes. Embora isso não quer dizer que Eduardo não seja um hábil diretor de atores, pelo contrário: é pelos atores que o filme parece existir. E o filme tende a crescer mais e mais quando volto a pensar nele.






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