A histeria da representação (ou, numa mera inversão de termos, a representação da histeria)
28 julho, 2009 · Imprimir
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A histeria é a própria forma do amor, de uma exigência de amor fundamental e excessivo.
Ok até aí? Ok.
Como reagir diante da possível simulação da histérica? Como frustrar essa teatralização do corpo? Pois simulação não é sinônimo de falsidade. O fato de a cena ser super-representada não significa que o problema não seja real, muito pelo contrário. É que a própria histérica não sabe, com clareza, até que ponto simula. Daí a diferença entre teatro e histeria, e a confusão de Myrtle Gordon em Opening Night… Myrtle, como atriz, deverá poder, pela graça da representação, colocar seu afeto (no duplo sentido do termo) à distância, fazendo a distinção entre o real e o imaginário.
Calma, estou chegando ao ponto certo. Calma.
É a função terapêutica do teatro – mas, quando representada todo o tempo, na vida como no palco, ou não mais representada, de sorte que qualquer divisão entre a histeria e o teatro é impossível. Ela perde a consciência de que a representação é representação, e é isto que constitui sua própria histeria.
Para que não pairem dúvidas no ar, repito: Ela perde a consciência de que a representação é representação, e é isto que constitui sua própria histeria.
Todos os filmes de Cassavetes, em menor ou maior grau, são marcados pela histeria da representação, ou a representação da histeria. Em outras palavras, ocorre um curto-circuito. Não é representação tão-somente (como nunca é mesmo, sabemos bem disso), e não é a realidade tampouco. E o que é isso, então?
Thierry Jousse dá o nome de histeria. Eu penso, sobretudo, em Artaud. Eu penso em coisas que vi ou li ou vivi. A matéria essencial do teatro é a vida. E isso mais do que um lugar-comum, encerra uma verdade absoluta. O teatro não suplanta a vida, mas a recria.
* As citações foram retiradas do livro John Cassavetes, de Thierry Jousse.




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