Ainda Two Lovers
23 junho, 2009 · Imprimir
Visto 110 vezes, 1 apenas hoje
Estava pensando em Two Lovers dia desses, enquanto procurava avidamente na videoteca aqui de casa algo similar, algo que fosse moderno, por assim dizer, mas que mantivesse diálogo com o clássico. Algo que falasse de amor. De escolhas. E que trouxesse o prenúncio trágico anunciado desde o plano inicial, como escreveu lindamente José Oliveira, dono do melhor blog de cinema luso-brasileiro (se é que posso chamar assim) a que se tem notícia.
Eis um pitaco:
Desde o plano inicial que “Two Lovers” transporta o peso e o cheiro da tragédia. Sempre em crescendo, sempre na mais discreta serenidade – gravíssima serenidade – tudo ao longo do filme nos faz adivinhar que aquilo irá correr muito mal, que as coisas não vão acabar de boa maneira. Já agora, não acabam mesmo bem, parecendo que não, é dos finais mais abertos, incertos e negros que James Gray já filmou. O filme não se fecha, obviamente. Recuando. Qual a história deste filme? A mais simples, a mais conhecida, tal como a metáfora bíblica do anterior “We Own the Night”. Ou seja: um homem instável conhece, num mesmo hiato temporal, duas raparigas, duas amantes, uma delas belíssima e instável, a outra mais secreta, mais comum. A rapariga belíssima e instável gosta de outro e só o quer como amigo. A rapariga “normal” está disposta a dar-lhe tudo. Coisas velhíssimas, clássicas, que Gray vai tratar com aquele minimalismo de prenúncio de tragédia, com aquele simbolismo – cinematográfico sim, mas acima de tudo religioso, místico – que já praticamente ninguém ousa.
Mais:
Two Lovers” é assim legítimo e forte porque dedicado e justo para com aquilo que filma e que capta, com o que está em questão. O que não o impede dos mais furiosos (discretos mas furiosas) e vibrantes rasgos, por exemplo, a cena da discoteca, mais uma vez uma discoteca, em que o cineasta demonstra uma voracidade e uma vitalidade, uma fome mesmo, de captação de ambiências e atmosferas, que a estes níveis e sensações, só Michael Mann anda a par. Câmara pelas estaturas e pelo peso dos homens e das coisas, sons aos níveis do mundo, coisas dessas, coisas fundamenteis. Magnifico.
Aviso aos iletrados que caírem aqui por acaso: leiam o texto integralmente.
Comentários
Faça seu comentário