Felizes para sempre
16 maio, 2009 · Imprimir
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Felizes para sempre
Enfim consegui assistir Felizes para sempre. Tivesse que escolher três textos do Bortolotto ficaria com Homens, Santos e Desertores, Uma Pilha de Pratos na Cozinha e Felizes para sempre. Li e reli Felizes para sempre. Tenho carinho pelo texto. Sinto como se tivesse escrito (evidentemente por querer tê-lo escrito).
O conjunto de atores egressos do Macunaíma, em sua maioria, sabe como e o porquê alimentar e gerar aquelas três cenas curtas. Há um cenário prosaico e intimista e criativo a acomodá-los, bem como a iluminação, que serve como linguagem e está ali tão-somente porque tem de estar.
Mais: a encenadora é fiel ao texto e ao mundo daquelas personagens. Não há happy end, mas silêncio.
E felicidade, há?
Ouço o Mário sorrindo ao fundo, como se dissesse que merda é isso?





Ficou faltando seu pai fazer-lhe uma pergunta crucial, definitiva: se a avaliação é sua mesmo ou uma mera reprodução do que o Antunes fala, a exemplo do que fazem os papagaios, digo, discípulos dele (frases do tipo “sem humanidade”, “sem precariedade”…). Abraço.
Ao ler seu comentário, fiquei aflito. Não sabia o que responder. Papai está em Galápagos, e a comunicação é quase inexistente. Por sorte, ao dormir, papai apareceu em sonho. Ainda num tom aflitivo, balbuciei palavras como CRUCIAL, REPRODUÇÃO, ANTUNES, PAPAGAIOS-DISCÍPULOS, PRECARIEDADE etc. Papai, em posição de lótus, foi monossilábico: Papagaio. Gritei o que isso quer dizer, mas ele desapareceu, como que içado por cordinhas invisíveis. Talvez haja um sentido CRUCIAL por trás da resposta DEFINITIVA de papai, embora acredite que de todas as palavras sopradas ao vento, esta foi a única que não lhe causou engulhos. É isso, Ed.
Abraços.