Os televisores nos reinventaram
12 abril, 2009 · Imprimir
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Sejamos HONESTOS: não existiriam casamentos não houvesse televisores. Não atualmente. Desconsidere o casamento dos seus avós e dos seus tios, que beira um centenário. Falo da vida CONTEMPORÂNEA. Do VAZIO dela. No passado esse vazio existia, claro. Mas não existiam cartões de crédito. E daí a explicação para os suicídios em massa. As pessoas precisam de algo para depositar suas frustrações. O consumo é um grande AMORTECEDOR. E os televisores nos reinventam diariamente.
Já imaginou se você tivesse de chegar em casa todos os dias e a sua mulher estivesse no sofá o aguardando para conversar sobre mais um dia de sua TEDIOSA vida. Os televisores nos dão o alívio do silêncio. Você pode entrar, tomar uma ducha, abrir o jornal e, quem sabe, até COCHILAR. Talvez sua esposa nem o note na sala. Talvez ela vá para a cama e não perceba que você chegou. Agora, pense nos seus filhos. O que eles fariam sem aqueles programas MATINAIS? Você não teria paciência ou talento para emular os atores do Hi-5.
Sem a televisão você não teria o que falar nos elevadores. Ou na casa da sua sogra. A televisão economiza DESPESAS. Sem ela você não teria desculpas caso sua mulher insistisse para que vocês saíssem para dançar no sábado à noite. Reviver o baile de formatura responsável pela união de vocês. Já imaginou ter de sair sábado à noite para dançar? Reviver o baile de formatura?!
Meu Deus!, a TV é melhor do que SEXO.
Não acredite nos intelectuais que dizem que a televisão é um dos males da modernidade. Ou da PÓS-modernidade. Você já visitou a casa de um intelectual? Eles têm televisores que mais se parecem telas de cinema. Caso contrário, como conseguiriam escrever seus ensaios, teses e artigos. Afinal eles também acabaram se casando. A inteligência não os libertou da tradição do matrimônio. Pior: domesticou-os. Ensinou-os a ser complacentes. Nenhuma pessoa em sã consciência suportaria conviver com outra, na mesma casa, por mais de três anos.
Sim, as relações têm prazo de validade. Sartre sacou isso bem cedo, e por isso pulou fora da jangada.
- Um apartamento pra mim, outro pra você, Castor (Sartre, carinhosamente, chamava Simone de Castor).
- Tudo bem, querido.
Nem todas as feministas são tolas. Simone sabia que Sartre era feio, estrábico, baixo e idiossincrático. Mas sabia, sobretudo, que era um dos homens mais inteligentes que já conhecera.
(A inteligência e o dinheiro são afrodisíacos dos mais poderosos.)
Caso ela não topasse, outra toparia. Ela não estaria disposta a discutir Hegel com um cara que confundisse METAFÍSICA com problemas no miocárdio. Simone tratou logo de travar uma parceira vitalícia com o pai do EXISTENCIALISMO. Foram relativamente felizes. Ela menos. Ele mais. Ao menos é o que diz a biografia de Hazel Rowley, Tête-à-Tête.
Mas enfim. Os TELEVISORES.
A televisão é a maior invenção da humanidade. Sem ela estaríamos perdidos. Toda vez que saio para pagar a conta da TV a cabo, eu não penso em quanto isso onera do meu salário. A TV a cabo é um investimento dos mais rentáveis.
Portanto, antes do apartamento decorado ou da escolha do faqueiro, compre um belo televisor. E invista numa TV a cabo digital.
Os televisores nos salvaram de nós mesmos. Aleluia!




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