Lendo Harold Bloom

15 janeiro, 2009 · Imprimir

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Comprei Gênio (os 100 autores mais criativos da história da literatura) por uma bagatela. 20 reais e um SORRISO. Senti-me culpado por não dizer à dona do sebo que o livro custa 90 reais (culpa ligeira, pois). O livro estava sem preço; ela tinha à disposição acesso ilimitado à internet, mas não sabia acessar. Vasculhou a estante onde o livro fora retirado, e notou que os demais livros variavam entre 20, 25 e 30 reais. Usou a teoria da grossura (828 páginas), e chutou um preço: 25 reais e um sorriso. Soubesse que sou banguelo, pensaria duas vezes antes de pedir um sorriso. Pago 20, falei enquanto tentava manter a boca levemente aberta, num sorriso que não parecia sorriso, mas parece tê-la convencido de minha amabilidade. Ok, disse aproximando-se e perguntando o que faço pra ganhar a vida. Vendo planos de saúde. Eu precisava mesmo fazer um plano de saúde… Indica qual?, perguntou aproximando-se MAIS. Mediale pra falar a verdade estou meio atrasado. Cresci ao lado de mulheres, mas nunca tive jeito com elas; são complexas demais para uma só vida. Ao abrir o livro, ponho-me a gargalhar de maneira infantil, como se ganhasse a coleção completa dos Transformers.

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Harold escreve como se conversasse:

É preciso oferecer ao leitor um senso de proporção: basta reler O Sol Também se Levanta após reler Ulisses, de Joyce. Hemingway não consegue alterar a maneira como se lê: ele aguça a consciência do leitor, quanto a questões de estilo e sensibilidade, mas não altera a relação do leitor com a linguagem.

Nesse trecho Bloom diz TUDO o que eu queria dizer (não faltassem meios para isso) quando ao falar de DFW e seus contemporâneos. Jonathan Franzen, por exemplo, aguça  a consciência do leitor, mas não ALTERA a relação do leitor com a LINGUAGEM.

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