Juventude
31 janeiro, 2009




Juventude
Juventude não é para todo mundo. Os mais afobados dirão que é um filme autocomplacente, imperfeito, prosaico etc. Eu digo que é um filme de amor. É como escrever uma carta de amor a TODAS AS MULHERES DO MUNDO. E não há no Brasil cineasta mais corajoso do que Domingos Oliveira. Ele filma o que quer, como quer, e sabe, de antemão, que público não há. Ao menos para o TIPO de cinema que se propõe a fazer. O ocaso sendo visto como esperança, não como FIM.
Na, for me very good
31 janeiro, 2009
Quando insistirem no assunto de que aprender uma outra língua não é importante, darei-lhes ANDERSON.
Sete Vidas
29 janeiro, 2009




Sete Vidas
Will Smith está na crista da onda. Will Smith não precisa de pares. Will Smith cobra o escanteio e cabeceia. Will Smith domina a tela por mais de 30 min em Eu sou a lenda. 30 MINUTOS. Só ele e um cão.
Will Smith é um GRANDE ator? A resposta é sim. Ali e À procura da felicidade assaz demonstram isso. O problema é que Will Smith está começando a fazer Will Smith, o que não seria de todo ruim se ele fosse Bill Murray ou Woody Allen. Will Smith é uma CELEBRIDADE. A imagem dele é tão onipresente que o jogo agora é o Will Smith fazendo Ben Thomas (personagem de Sete Vidas) e não o Ben Thomas fazendo o Will Smith vira quase metalinguagem, imbrica ator e personagem, personagem e ator, e no final ficamos nos perguntando se esse Ben Thomas não é o mesmo Chris Gardner de À procura da felicidade ou mesmo, guardadas as devidas diferenças, Robert Neville de Eu sou a lenda, ou, ainda, o CARA sorridente que desfila com a curvilínea Jade Pinkett por tapetes vermelhos e festas milionárias.
Por mais que ele seja O CARA, dividir a tela com ele mesmo anda cansando. Pior: não permite que o vejamos interpretar um outrem que não ele mesmo.
E Sete Vidas, Lucas, não era esse o assunto do post?
Bem, era esse o assunto, sim, mas achei mais interessante falar sobre o Will Smith e em como ele é um ator que atingiu aquele PONTO de interpretação que os atores novatos ainda não se dão conta, e que por mais que façam exercícios babacas de respiração e equilíbrio, existe um ALGO que não pode ser transmitido assim como uma receita de bolo, e ver que um ator atingiu esse PONTO é mais gratificante e significativo do que acompanhar À procura da felicidade 2 à Hitchcock.
Yes, I’m alive
28 janeiro, 2009
Deveria ter escrito sobre uns 10 filmes que vi antes do Globo de Ouro, mas a vontade de não escrever foi maior. Preguiça mental e física. Meus dedos estão sofrendo de reumatismo, pode acreditar. As notas rápidas (mais cotações do que comentários propriamente) abaixo traduzem o momento full time pelo qual ando passando.




Milk
Gus Van Sant às voltas com um cinema mais “documental” e menos lírico e EXPERIMENTAL do que seus últimos filmes. O maior papel de Sean Penn desde Sobre Meninos e Lobos.




Quem Quer Ser Um Milionário?
Ganhará tudo o que disputar. O primeiro filme dito globalizado dessa era. Eu fico do lado de Milton Santos.




A Mulher Sem Cabeça
Letárgico e de tessitura mais frouxa, assim como O Pântano, Lucrecia faz um filme de terror psicológico à Kubrick e mostra o porquê é a maior realizadora do cinema argentino atual.




Gran Torino
Acerca dos comentários envolvendo o retorno de Dirty Harry, três palavrinhas: Will Munny BACK. A moral de Clint continua inabalável, assim como seus personagens e narrativas. Um ATOR despedindo-se do cinema num dos grandes desfechos do ano.




MR 73
Niilista até o caroço, Olivier Marchal dá o feixe preciso a uma trilogia descida ao inferno sem escalas. Auteuil fez com que eu quase emulasse seus trejeitos pela sala, indiferente aos demais (pensei seriamente em aderir ao cigarro e a bebida, mas declinei ao primeiro gole de um vinho barato encontrado na geladeira). A abertura (5 minutos) renderia um texto de 5 páginas, no MÍNIMO. O desfecho um ensaio de Bernardet.




O Lutador
Darren Aronofsky troca a grandiloqüência inócua (Fonte da Vida) pela essência, e faz o Rocky da geração 00. Mickey Rourke está sublime. Não ganhará o Oscar, mas é o MAIOR do ano.




O Visitante
Tão agradável quanto caminhar numa ciclovia.
On being funny
28 janeiro, 2009
Não sei ao certo qual era a intenção do pessoal do Apostos (provavelmente nenhuma, a não ser falar sobre o NADA e primeiras-damas pegáveis e não-pegáveis), mas o vídeo comprova a teoria de que quando há erudição exacerbada, sobretudo reunida numa única mesa, não há humor nem improviso.
John Updike (1932-2009)
27 janeiro, 2009
Meninos jogam basquete em volta de um poste telefônico onde uma tabela foi fixada. Pernas, gritos. O ruído das solas dos tênis sobre o cascalho da viela como que projeta as vozes até acima dos fios, no céu azul e úmido de primavera. Coelho Angstrom, entrando na viela de terno e gravata, pára e fica olhando, apesar de seus vinte e seis anos de idade e seu metro e noventa de altura. Tão alto, não parece ter nada de coelho, mas o rosto branco e largo, a palidez das íris azuladas, o tremor nervoso sob o nariz pequeno quando ele enfia um cigarro entre os lábios explicam em parte o apelido, que lhe foi posto quando ele também era menino. Parado na viela, Coelho pensa. Os meninos correm, de modo que ele tem de recuar a toda hora.
Um novo Messias
25 janeiro, 2009
Dei-me conta de que o mundo havia realmente sofrido uma MUDANÇA quando fui pagar a conta da luz e escutei a conversa de dois senhores à porta de uma casa lotérica:
- Eu tava pensando em ir pro Sul esse ano, mas essa crise não vai deixar.
- O Obama vai resolver.
Obama não é meramente o presidente dos EUA, não!, não!, Obama é DEUS. Ou o mais próximo da idéia que temos de Deus.
É óbvio que não estamos preparados
24 janeiro, 2009
Geralmente é uma COISA de nada. Um cara que esqueceu de olhar no retrovisor enquanto dava ré. Outro que passou no vermelho. Uma família que não atravessou na faixa.
Um rosto de perfil iluminado pelas luzes dos carros.
Geralmente é uma COISA de nada.
Juventude
22 janeiro, 2009
Barack Hussein Obama
20 janeiro, 2009
Não acreditava em dom (batia o pé, aliás) até ver o discurso de posse de Barack Obama.













