Pan-Cinema Permanente
6 dezembro, 2008 · Imprimir
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Pan-Cinema Permanente
De Waly Salomão li uns poucos poemas e algumas entrevistas. Só. E sabia algo (quase nada) de sua figura excessiva, como assim define muito bem Caetano Veloso em Pan-Cinema Permanente, de Carlos Nader. Abordar um poeta dessa estirpe de maneira convencional seria tiro de escopeta em formiga. Abordá-lo de maneira linear, um desproposito. E por isso Carlos Nader opta pela via de construção fragmentária e caótica, como era a vida de Waly, que insistia (que bom!) em teatralizar a vida e fazer dela um poema em progresso, nunca arrematado ou perfeito, mas uma sucessão de pequenas ondulações de imperfeições e uma porção nada desprezível de loucura e sonho. Era sonho o que motivava Waly a criar máscara sobre máscara sobre máscara sobre MÁSCARA. Wally era personagem de si mesmo, o que torna impossível dizer ao certo quem era ou o que foi Waly, o que também pode ser aplicado à poesia no geral. Ficcionalizar a vida é um ato de subversão. Ficcionalizá-la a ponto de borrar a fronteira que insiste em divisar o que é REAL do que é ILUSÃO, SONHO e FICÇÃO, um ato quixotesco e permanente de recusa à vida pela vida. A vida é maior do que a realidade, diria Waly.
A VIDA É SONHO.





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