Borderline
7 dezembro, 2008 · Imprimir
Visto 163 vezes, 2 apenas hojeHavia me esquecido de alguns trechos de Cordilheira em que é possível aplicarmos diretamente à maneira que Waly Salomão escrevia e vivia:
Há um texto em que argumenta que qualquer personalidade é uma ficção – interveio Parsifal. – Ele acabou destruindo a própria identidade. A maioria dos que conhecem sua história dizem que no fim da vida ele enlouqueceu, mas havia uma reflexão séria por trás de seus métodos. Acreditava que a literatura era o caminho que podia nos levar mais longe no esforço de transcender a individualidade. Num certo momento, se convenceu de que era possível dar mais um passo. O que se pode alcançar por meio da palavra também poderia ser alcançado, de forma análoga, por meio da ação. Não há razão pra nos contentarmos com um único eu, concluiu nesse texto. Foi a última coisa que escreveu em papel.
(…)
Mas o essencial em Irrisari, de acordo com Holden, não foram os livros que publicou, e sim o caminho que seguiu a partir de certo ponto de sua carreira: parou de escrever histórias e passou a vivê-las.
(…)
Mas o que realmente me fascina é a possibilidade de romper essa parede. Há muitos autores em que isso se insinua. Chegam perto de escrever como vivem, ou viver o que escrevem.
É um tanto estapafúrdio pensarmos a vida como uma peça de ficção, e assim vivê-la de acordo com um personagem e seus anseios irrefreáveis. Embora a tentação de transcender esse EU aqui seja costumeira. Talvez a escrita seja uma das maneiras mais diretas de atingir essa veleidade. Talvez.




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