Ano-novo #1
30 dezembro, 2008
Stig Björkman: Você disse que não sente nenhuma necessidade de reavaliar a sua vida, tal qual Marion faz em A Outra. Sempre pensou assim?
Woody Allen: Sim. Sabia disso quando estava no final da adolescência, sabia que sempre haveria distrações também. E tinha a sensação de que qualquer coisa que desviasse a atenção do trabalho ou minimizasse os seus esforços em favor dele era auto-engano, que acarretaria danos. Então, para evitar ser apanhado por uma teia de rituais para escrever e pela perda de tempo, você tem que ir à luta e trabalhar. De modo geral, a arte e o show business estão abarrotados de gente que fala, fala e fala. E quando você ouve este pessoal falar, eles são teoricamente inteligentíssimos, estão certos, e mais isto e mais aquilo, porém, no final, a questão fica reduzida a quem pode se sentar e fazer? Isto é o que conta. O resto não quer dizer nada.
Enfim uma resolução irrevogável para 2009: dar valor a coisas SIGNIFICATIVAS, não dar relevância ao blá blá blá e tudo mais, e fazer o que você ACHA que tem de ser feito, assim, sem rodeios, de maneira objetiva. O RESTO realmente não quer dizer NADA.
Christophe Honoré & Nick Drake
29 dezembro, 2008
Estou envergonhado por nunca ter ouvido nada do Nick Drake antes de A Bela Junie (Christophe Honoré). Nada é NADA mesmo. Porque é improvável que eu tenha ouvido ALGO tão agudo quanto Day is Done e tenha simplesmente esquecido. As composições de Nick não são do tipo “esquecíveis” após a terceira audição, algo que fazemos com freqüência tamanho o ímpeto imaturo por DESCOBRIR algo mais novo e crucial, o que geralmente impede que possamos dar o devido valor a coisas desse tipo.
Baixei os quatro álbuns e a cada nova canção eu comprimo um pouco mais os braços e as pernas, o que faz com que a cabeça adquira um movimento involuntário de ziguezaque.
Como de costume a artistas geniais, teve uma biografia fodida, e uma morte semelhante à de Heath Ledger. E acho que já falei o bastante, afinal ele desaprovaria minha tendência à verborragia, e por isso deixo três canções e um imperativo: ouçam!
Way to Blue
From the Morning
Place to be
Undertow
28 dezembro, 2008




Undertow
David Gordon Green leu Dickens. Digo isso sem qualquer pesquisa prévia que não o contato com mais um de seus filmes. Undertow é antes realização de um romancista que de um cineasta. Road-movie-Bilgdungsroman-trilher com toques de romance naturalista e camadas descritivas-imagéticas que fariam Zola sentir-se apequenado; isso antes de consultar dados biográficos de Green e constatar que maturidade artística nada tem a ver com idade biológica. O filme jamais fica aquém da leitura de um BOM romance. Dickens é referência, embora seja possível notar ecos de Ferenc Molnar e seu Os Meninos da Rua Paulo no que diz respeito ao tratamento de elementos da tragédia quando incorporados a narrativas juvenis e de formação.
David Gordon é um escritor que virou cineasta, e Undertow seu romance mais ambicioso.
Todo ator é general
27 dezembro, 2008
Independente de concordarmos ou não com o manifesto de nudez escrito por Pedro Cardoso, essa entrevista concedida ao Roberto D’Avila (em três partes; partes 2 e 3) é um alento não só aos atores brasileiros, mas a todos nós, que deveríamos praticar mais o conceito de sermos generais ao invés de soldadinhos de chumbo.
Harold Pinter (1930-2008)
26 dezembro, 2008
Morre Harold Pinter. 78 anos. Morreu na véspera de Natal. É uma grande ironia morrer na véspera de Natal, enquanto todos estão preocupados em estar ALEGRES.
Li pouco de Harold Pinter. Assisti pouco também. O Zelador e A Volta ao Lar. A última faz parte do cânone, e é realmente DEFINITIVA. O Zelador tampouco fica atrás. No cinema, vi The Servant (parceria de Pinter com Joseph Losey), e o filme, de 63, continua socando forte o relógio e permanece mais atual do que os filmes de HOJE (O Zelador é quase The Servant e The Servant é quase O Zelador).
Recordo-me de ter ficado bastante impressionado quando li a respeito de seu processo de criação. Dizia que não fazia qualquer planejamento sobre estrutura e demais elementos narrativos, mas ia, sim, atrás de uma imagem. A IMAGEM era a fagulha. Ao escrever A Volta ao Lar, não fazia idéia do que viria, apenas tinha a imagem de um homem à procura de uma tesoura.
Pensar que uma peça tão significativa e atemporal como A Volta ao Lar surgiu de uma simples imagem de um homem à procura de uma tesoura, é um ABSURDO.
Max
O que é que você fez com a tesoura? (Pausa.) Eu disse que estou procurando a tesoura. O que é que você fez com ela? (Pausa.) Não ouviu, não? Quero cortar um negócio no jornal.
Natal #7
26 dezembro, 2008
Obrigado, grandessíssimo filho-da-puta, OBRIGADO.
Juro que choraria se o livro não estivesse em meu colo agora.
Enfim um presente ACERTADO. Enfim o melhor presente que ganhei nesses 26 anos. Enfim um AMIGO desses que você vai se lembrar quando todas as coisas forem tiradas de você.
Um conselho de alguém que sofreu na pele (literalmente, afinal não é fácil criar expressões fisionômicas de improviso) o desgaste de não ser agraciado com um presente que havia pedido ao amigo secreto: nunca, JAMAIS, ousem pedir livros aos seus amigos secretos; eles podem imaginar que você é um jogador de futebol fracassado, e daí é possível fazer inúmeras conjecturas sobre o que lhe aguarda quando finalmente você abrir aquele saquinho colorido e posar para a foto (presente na mão e expressão ok, era isso mesmo que eu queria, não precisa se desculpar) que figurará no painel do hall da firma quando o ano de 2009 acenar.
Peçam TUDO, menos livros.
Natal #6
25 dezembro, 2008
Não consigo manter-me indiferente a esta canção interpretada por Joe Cocker, NÃO CONSIGO.
Natal #5
24 dezembro, 2008
Saio a fim de comprar os últimos preparativos para a CEIA. As pessoas quase não RESPIRAM; todas nervosas. Penso em coxinhas e Coca-Cola e isso faz com que meu nível de testosterona mantenha-se equilibrado. Enquanto isso, um mamute siberiano, cabeça raspada e coleira de cachorro, berra Monte de merda, Monte de merda, como se isso alterasse o estado deplorável em que se encontra minha motocicleta (25 km/hora em pistas sem buracos e aclives) e demais acessórios escamoteados por uma carcaça 26 anos sem manutenção e dentes faltando numa arcada dentária prazo de vida útil 3 anos MÁXIMO.
Natal #4
24 dezembro, 2008
Caso queiram me dar um mimo para celebrar data tão importante, é fácil:
Natal #3
24 dezembro, 2008
Não há mal algum em suicidar-se no Natal. Suicídio é para os fortes. O restante (EU e VOCÊ) caminha tranqüilamente até a virada do ano.
E vive-se ASSIM, bovinamente falando.







