John Cassavetes
8 novembro, 2008 · Imprimir
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Há mais de um mês pude concluir a filmografia de John Cassavetes. Ele é tudo aquilo que afirmam por aí. Godard tinha razão. Cassavetes é o cinema moderno. Ou, ainda: ele é o que o cinema deveria ser. Cada plano é um sopro de vida. Cada gesto um grito, um petardo que atinge a alma. Cassavetes nos legou sua vida. O que mais poderíamos pedir a um artista? Ele viveu através dos filmes. Ele viveu em razão dos filmes.
O vídeo abaixo, uma montagem, é uma homenagem ao artista e ao homem Cassavetes. Se você chegou até aqui, assista. Mesmo que jamais tenha visto um único filme de Cassavetes, assista. Caso o vídeo não o faça prostrar-se por dois dias na frente da televisão e assistir toda a obra desse que, num exagero deliberado, é o principal cineasta norte-americano da segunda metade do século XX, o meu texto, curto, ou um outro mais caudaloso, não o aguçará mais do que os 7 minutos desse pequeno tributo.
Assista, mesmo que não se interesse por cinema. Mesmo que nunca venha a conhecer esse sujeito. Mesmo que esteja ocupado demais. Mesmo que tenha algo importante para fazer (afinal, se você chegou até aqui, algo o está motivando a continuar; nem que seja por raiva, assista).
Assista. Nem que seja para me xingar depois.
E, como eu sei que você irá assistir, fique atento aos detalhes. O que Cassavetes fazia não era cinema e nem teatro filmado. Ele escrevia com a câmera. Quantos diretores contemporâneos escrevem com a câmera?
Não responda; assista. E caso não se sinta atraído pelo canto da sereia, há sempre outro passatempo.
Assista. Não só o tributo, mas os filmes. São poucos. 12, no total. Um fim de semana em casa e voilà. Não arrume desculpas do tipo os filmes são raros, não há distribuição, é praticamente impossível conseguir algo desse cineasta. Nada que um torrent ou um amigo cinéfilo não resolvam. Tenho certeza que se fosse o show do Radiohead você arranjaria tempo, dinheiro, disposição e faria o possível e o impossível para se fazer presente. Portanto, sem desculpas.
Assista!
P.S.: As sete vezes em que assisti ao vídeo, um rolo de papel higiênico e uma toalha cor-de-rosa ficaram empapadas de lágrimas.




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