Estou otimista quanto ao futuro da humanidade

16 setembro, 2008 · Imprimir

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Contrariando um conjunto vasto de convicções adquiridas ao longo dessa vidinha, a minha vidinha, percebo, nariz de palhaço e lágrima desenhada na maçã da bochecha, um jovem – eu, não tão jovem assim, vá lá – mais otimista. Não otimista-ong e carteirinha de sindicato e vota direito e passeata na Paulista. Otimista do tipo olha de novo para as coisas e não vê só o lado negro da força. Antes imaginava desfechos apocalípticos e pessoas matando umas às outras. Agora, mais otimista, penso tão-somente num acordo tácito do silêncio. O fim dos tempos não será destruição inflamada e meteórica ou revolta da flora, mas silêncio. Um sombrio e profundo silêncio. Cada qual preso a seus afazeres. Todos trabalhando em casa. Nada de saídas para barzinhos. Nada de vida noturna. Nada de passeios bucólicos com a família em dias ensolarados. As ruas desertas. Sem trânsito ou saques noturnos. Tudo virtual, nada de contato. Aos poucos, nem vida virtual. Não mais discussões inócuas sobre um futuro promissor ao lado de alguém e apartamentos com sacada. Nada de planos. Tudo será dito e entendido de maneira particular, individual, subjetiva. A verborragia dando lugar ao pequeno gesto. E o fim será dado com um leve e sugestivo movimento de negação. Silêncio, apenas.

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