DFW (1962-2008)
14 setembro, 2008 · Imprimir
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Poucos são os escritores que me fascinam já numa primeira leitura. Beckett, por exemplo, é um. David Foster Wallace, outro. Ao ler DFW você sente, num primeiro momento, num segundo e terceiro, uma puta inveja. Mais adiante você diz para si mesmo que se alguém nasceu para escrever esse alguém é David Foster Wallace, e que, portanto, se você tinha alguma veleidade no que diz respeito à carreira de escritor, pode esquecer, ir plantar batata, dar aulas ou continuar fazendo as mesmas coisinhas de sempre, coisinhas estas capazes de locupletar sua vidinha tediosa. Mais adiante ainda, com os lábios secos e já andando pela sala e repetindo pela décima vez coisas do tipo Frio é só uma espécie de duro. Uma espécie de cego. Você foi apanhado desprevenido. Feliz aniversário. Você pensou melhor. Sim e não. E aí menino, tudo que você acreditava que já tinha sido dito por outros escritores no que se refere a “contos de formação” e tal, fica pobre ou pouco inventivo diante da maneira como DFW partitura sua escrita nesse conto perfeito que leva o nome de Para sempre em cima.
A esposa de David Foster Wallace encontrou seu corpo em casa, na Califórnia, por volta de 21:30 de sábado último (aparente suicídio) sexta-feira última (suicídio). Ele tinha apenas (apenas!) 46 anos. Porra!, merda!, caralho!
A prancha vai abaixar, você irá, olhos de pele podem se cruzar cegos para dentro de um céu manchado de nuvens, perfurações de luz se esvaziando por trás da pedra dura para sempre. Isso é para sempre. Pise na pele e desapareça.
Olá.
…
Trechos extraídos do conto Para sempre em cima, do livro Breves Entrevistas com Homens Hediondos.




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