Museu de cera

18 abril, 2008 · Imprimir

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Em determinado livro de ensaios ou não, Sartre diz que um homem assume as características de sua profissão. Sartre convivia com intelectuais eminentes da França, tomava café com literatos, era amigo de Camus, marido de Simone de Beauvoir e amante de luxo de belas mulheres entre uma conferência e outra. Sartre era um flâneur, e por isso um grande observador da cidade e seus moradores.

A máxima de Sartre atirou-se à minha frente ontem, na sala dos professores. Percebi que todos ali, dados seus trejeitos, falas, roupas e movimentos, haviam assumido, mesmo em suas vidas privadas, o peso e responsabilidade de serem professores em tempo integral.

Eram profissões, não pessoas. Eram frases de efeito. Eram roupas adequadas ao exercício da profissão. A maquilagem forçada de uma delas, o cabelo pintado com a raiz precisando de um retoque, o sapato gasto de um deles, o sorriso que não mostra os dentes da pequena professora que senta mais ao fundo da sala, numa tentativa de não ser notada, são, talvez, a única marca pessoal ainda viva do que poderíamos chamar de um estranho museu de cera. As pessoas não são, ou não deveriam ser, o que elas fazem.

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